quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O X-Salada sem presunto e sem hambúrguer parou na boca do estômago. Foi engolido outro pedaço para empurrar o primeiro, e outro para empurrar o segundo. E assim, mordida por mordida, sucessivamente até o fim do lanche acabar no sétimo pedaço, que ficou ali entalado, sozinho na boca do estômago, como alguém que senta na beira da rua fadigado de carregar mais uma relíquia da coleção de problemas.
Depois de meia hora e um real e vinte centavos a água chega pra dar aquele empurramzinho, como um amigo que abraça o companheiro na chuva.

- Será que o ónibus demora muito?

- Ah bicho, não muda de assunto! Diz aí, desabafa sou teu brother!

Mais um gole d'água. O estômago fica gelado. Como uma anomalia num corpo em temperatura de fusão.

- Eu tô puto, cara! Não consegue entender?

- Claro...

- Claro? É tão claro, cara?

- Po, bicho! Deixa eu....

- Se é tão claro, então fim de...

Papo era a última palavra da frase. Mas a abstinência por mais uma dose de conhaque se deu na boca, que concordou com o desejo, que ouviu os apelos do coração e disse:

- Preciso beber, cara!

- Eu pago, bicho.

24/09/2009.
B.L.M.