Depois de meia hora e um real e vinte centavos a água chega pra dar aquele empurramzinho, como um amigo que abraça o companheiro na chuva.
- Será que o ónibus demora muito?
- Ah bicho, não muda de assunto! Diz aí, desabafa sou teu brother!
Mais um gole d'água. O estômago fica gelado. Como uma anomalia num corpo em temperatura de fusão.
- Eu tô puto, cara! Não consegue entender?
- Claro...
- Claro? É tão claro, cara?
- Po, bicho! Deixa eu....
- Se é tão claro, então fim de...
Papo era a última palavra da frase. Mas a abstinência por mais uma dose de conhaque se deu na boca, que concordou com o desejo, que ouviu os apelos do coração e disse:
- Preciso beber, cara!
- Eu pago, bicho.
24/09/2009.
B.L.M.
